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Os Maoris

Ma é puro, branco, limpo, Ori é vibrar, Maori é a pura essência da vibração interna

A tradição de cura de 12.000 anos da Nova Zelândia chega pela primeira vez no Brasil através de Atarangi Muru e seu time de experts. Eles são exemplos vivos de ensinamentos ancestrais.

Essa terapia foi desenvolvida para reestruturar o corpo-mente e propicia a liberação dos tecidos mais profundos, além de utilizar o conhecimento astrológico dos aborígenes, ferramentas da natureza e insight espiritual.

A prática envolve uma percepção intuitiva e mensagem são recebidas  para que eles conduzam o corpo a se reconectar com a sabedoria divina.

Durante as sessões, emoções profundas estagnadas são liberadas e vem a tona. Essas experiências emocionais estão por trás das doenças físicas, psicológicas e mentais. O sucesso da terapia, em todo o mundo, é resultado do tratamento do corpo como um todo e não apenas tratamento de sintomas.

A terapia é realizada em grupos, com duas ou três sessões acontecendo simultaneamente. Eles acreditam que essa sinergia do grupo é essencial e extremamente poderosa.

Durante as sessões os terapeutas podem utilizar cânticos, incensos e outros elementos da natureza.

Atarangi Muru, amorosamente conhecida como Ata, é uma das curadoras Maoris mais reconhecidas. Ela foi criada em um ambiente onde a cura fazia parte do dia-a-dia, aprendeu técnicas de seus tios e tias. Seu trabalho é profundo, único e inspirador, física e espiritualmente. Nas palavras de Ata, “em um grande numero de casos, a cura é instantânea, ainda que o corpo, por causa de sua densidade e necessidade de entender o que está acontecendo, precise de um tempo maior.

Ata will be here with her brother, Manu – an enigmatic and gifted Maori healer. Manu maintains that his father gave him all the answers, and now he lives his life finding all the questions to these answers. Manu has a sharp intuition that lets him know all kinds of information about the state of the physical body or about the person, and yet that person has not started to tell him anything. Also a trickster and clown, Manu can turn the most serious and tense situation into an open, flowing moment with the flick of his fingers, the sound of a guitar and, with his amazing voice singing beautiful songs, sharing the sound of peace.

Manu, um curador Maori enigmático e super dotado, diz que seu pai lhe deu todas as respostas e agora ele vive sua vida encontrando as perguntas para essas respostas. Manu tem um intuição aguçada que permite que ele “ veja” todas as informações sobre o estado do corpo ou sobre o paciente sem que a pessoa se manifeste. Manu transforma a situação mais seria em um momento de leveza com o som de seu violão e com o canto de lindas canções que transmitem paz.

Charlotte Mildon recebeu de seus ancestrais um entendimento único das artes de cura. Seu papel é a transmissão desse conhecimento e o trabalho de amor incondicional com as energias. Ela facilita o reconhecimento de experiências que causaram desequilíbrio emocional com foco em uma cura natural.

Mãe de uma filha e avó de dois netos, a felicidade de Charlotte aumenta com essas conexões. Por que isso é importante? Porque para os Maoris os netos são o sangue vivo da próxima geração. Crie-os bem, com força e amor e eles plantarão as mesmas frutas no jardim.

O véu do medo é retirado – o corpo é reequilibrado – a alma é libertada e a partir dai começamos a caminhada em nosso verdadeiro destino de direito…

Tudo está bem!

Nova edição da revista Cláudia

Esse mês, em minha coluna da revista Claudia, falarei sobre como nos conectarmos com a natureza para recuperar o equilíbrio do corpo e mente.

Nesse podcast você já encontra algumas boas rotinas para começar seus novos hábitos de saúde!

Nova http://www.marciadeluca.com/wp-content/uploads/2013/07/audio_claudia_jul_01.mp3 na Claudia capa-claudia-julho-2013

Renove-se no dia a dia!

coluna publicada na revista yoga journal

ilustração: gustavo peres

Agenda AyurvédicaAlimentação, Yoga, meditação, massagens, purificação, atenção aos cinco sentidos – tudo isso compõe, em termos bem práticos, a rotina ideal para quem quer viver mais e melhor. Chamada dinacharya, em sânscrito, essa rotina tem por chave nossa integração com os ritmos da natureza.

Aqui vai um pequeno resumo de sugestões para que você, leitor, possa encaixar no seu dia-a-dia:

Manhã

• Acorde sem alarme, com o nascer do sol

• Tome um copo de água morna com gotas de limão. Ajuda na evacuação. Quem tiver gastrite ou outro problema de estômago deve tomar água morna pura

• Esvazie bexiga e intestinos

• Limpe a língua, removendo as toxinas que ficaram depositadas durante a noite, e escove os dentes

• Faça 12 ciclos de surya namaskar, a saudação ao sol

• Faça alguns ciclos de pranayamas

• Medite por 20 ou 30 minutos

• Faça automassagem e tome banho

• Tome o café da manhã, lembrando de comer apenas para matar a fome

• Ande durante 15 minutos

Meio do dia

• Faça do almoço a principal refeição, incluindo os seis sabores e alimentando-se entre 12h e 13h, quando agni é mais forte

• Coma com atenção

• Ande 15 minutos após comer

• Trabalhe

Fim de tarde e noite

• Pratique 12 ciclos de chandra namaskar em preparação para uma noite de sono tranqüilo

• Medite por 20 ou 30 minutos antes do jantar

• Coma apenas alimentos leves, de preferência até no máximo 19h, para que às 22h o estômago esteja vazio. O jantar ayurvédico ideal é uma bela sopa

• Ande durante 15 minutos

• Faça uma atividade relaxante. Deve-se evitar tarefas excitantes ou que exijam concentração mental após as 20h30. Uma boa pedida pode ser a leitura de poesia ou de mensagens positivas

• Acenda velas, coloque uma música calmante e faça um abhyanga completo ou meio abhyanga. Criar um ritual é muito bom: o corpo vai aprendendo a relaxar

• Tome um banho quente, usando óleo essencial de lavanda ou outro de sua preferência

• Tome uma xícara de leite quente com noz-moscada e mel ou chá de camomila ou ainda chá de valeriana

• Vá para a cama até as 22 h, para dormir (importante: não coma, não assista à TV nem leia na cama)

• Já na cama, feche os olhos, sinta o corpo, faça várias respirações profundas

Já vimos que com a repetição da ação, o ser humano vai criando em suas células memórias que aos poucos tornam-se hábitos. A idéia é começarmos hoje um período de transição. Mas devemos fazer ajustes gradativos em nossos costumes para chegar lá.  Por exemplo: quem vai para a cama muito tarde, pode tentar deitar-se meia hora mais cedo a cada semana, para que o corpo vá entendendo a nova programação, sem gerar estresse. Ir com muita sede ao pote é errado. Existe um grande perigo de o quebrarmos. O caminho do meio é sempre o mais sábio. Vivemos em uma sociedade com conceitos e princípios estabelecidos que muitas vezes agem na contra-mão do Ayurveda. Sejamos então flexíveis: se não nos for possível seguir essa rotina à risca, não importa. Partamos do princípio de que o que fizermos, por pouco que seja, já é lucro… Gradativamente os benefícios aparecem e o próprio corpo vai querer mais e mais… essa é uma viagem sem volta e sem fim… Embarque nela e veja como você se sentirá mais saudável e feliz!

Menopausa como início

Coluna publicada na revista Yoga Journal

Ilustração: Gustavo Peres

menopausa como inícil

A vida é feita de ciclos, e cada mudança deve ser motivo de grande comemoração! No momento em que os hormônios diminuem, permitimos que nossas vidas mergulhem na sombra e na renúncia em vez de brindarmos a mais um movimento que nos aproxima da espiritualidade.

Menopausa é fim e começo… É o fim da fertilidade física. Os folículos acabaram, não há mais ovos. A produção hormonal do ovário faliu. O sangue pára de descer, mas a energia começa a subir em direção ao infinito. É, portanto, o começo da fertilidade cósmica, da vida regida para além dos ciclos mensais, da lua e das marés.

As energias que antes eram direcionadas para atrair um companheiro e gerar crianças ficam disponíveis para a exploração interior, o serviço à humanidade, a união com o divino.

A palavra Yoga vem da raiz sânscrita Yuj, que quer dizer unir. O objetivo final e primordial dessa técnica milenar é integrar corpo, mente e espírito em um contínuo único até atingirmos nossa totalidade. Torna-se, portanto, uma prática indispensável na vida de todas as mulheres que querem manter seu equilíbrio a partir de uma certa idade. Manter o corpo saudável, músculos fortes, coluna vertebral flexível são alguns poucos benefícios que a prática do Yoga nos traz neste momento de insegurança e de mudanças em termos gerais. Asanas e pranayamas nos permitem o massageamento de glândulas e plexos que vão prolongar a liberação hormonal dentro de sua normalidade. Hipófise, tireóide, paratireóides, pineal, supra-renais são pressionadas, distendidas, estimuladas para um bom funcionamento. Como se estivéssemos lubrificando nossa engrenagem para mantê-la sempre em bom funcionamento…

Além de permitir a manutenção de um corpo jovem , saudável e flexível, o Yoga proporciona o contato com nossa voz interior mostrando nesse momento uma espécie de nascimento no campo do espírito, o que merece celebração. Um aquietamento profundo que nos leva em direção ao autoconhecimento, ao autodesenvolvimento, à busca de nosso dharma(propósito de vida). Este deverá ser, portanto, um motivo de grande celebração em nossas vidas.

Agora a mulher é muito mais que uma fêmea em seu esplendor. Tem a chance de se libertar das expectativas e exigências alheias, de experimentar sua autêntica identidade. Aprendeu a dizer não e pode, corajosamente, livrar-se de tudo que já saturou, que já não cabe mais.

Ainda assim, ela deve se desapegar da tradicional definição de sexualidade.

Acontece que viver só um aspecto da dualidade é viver pela metade. Mulher e homem têm hormônios masculinos e femininos atuando em seus organismos, assim como têm aspectos psicológicos dos dois sexos.

A verdadeira integração de corpo, mente e espírito nos proporciona sabedoria suficiente para entendermos que com o declínio dos hormônios femininos, a ação dos hormônios masculinos é potencializada no corpo da mulher. Boa oportunidade para ela conhecer e amar seu homem interno, para fortalecer a determinação, a ação. Quando a mulher vai ao encontro de sua essência mais profunda, naturalmente ela ativa seu animus, a energia vigorosa, fundamental para perseguir os grandes objetivos.

Para responder bem a esse momento, é fundamental trabalhar a nossa totalidade, e não apenas o organismo. É preciso compreender que quem está na direção do veículo-corpo é o motorista-espírito. Podemos criar força e saúde, assim como doença e fraqueza. A escolha é nossa.

Chegou a hora de encarar o momento como um desafio criativo, uma chave para transformar negatividade em positividade, escuridão em luz.

Sábio é aceitar naturalmente as mudanças, fluir com elas, cooperando criativamente com o processo e usando os instrumentos disponíveis para tanto.

Na minha opinião, o “tripé da salvação” é formado por ter palavrinhas mágicas: “Yoga, Meditação e Ayurveda”. Siga-as e você será feliz, mesmo com menos hormônios!

Canal de Energia

Como praticar jala netiColuna publicada na revista Yoga Journal

Ilustração: Gustavo Peres

Pare para pensar na qualidade do ar que respiramos. Nós estamos permanentemente sendo bombardeados por poluição, fumaça, detritos químicos e ar-condicionado repleto de bactérias. Nossas narinas têm de lidar com o ar do ambiente, muitas vezes seco demais, frio demais ou quente demais. Na realidade, não existe nenhum outro órgão em nosso corpo que tenha de se adaptar a tantas mudanças em um mesmo dia.

Muitos de nós sofrem de doenças respiratórias devido a estas qualidades do ar.

O lota, esta “chaleirinha” para limpar as fossas nasais torna-se então um acessório de extrema importância para essa finalidade, assim como utilizamos uma escova para limparmos os dentes.

O lota tem sua origem na tradição do Yoga da Índia há milhares de anos. Em sânscrito, o termo usado é “neti”, que literalmente significa “guiar” – referindo-se à água que guia nossa energia através das passagens nasais abrindo o caminho para que ela circule livremente.

Na Índia, esta prática é utilizada para facilitar os pranayamas (exercícios respiratórios). Atualmente, até os médicos estão se rendendo aos poderes dessa técnica para evitar sinusites, congestão nasal e outros problemas respiratórios. Da mesma maneira que limpamos os filtros dos aspiradores e de outras máquinas regularmente, devemos também cuidar do nosso próprio corpo.

Vários são os benefícios advindos da regularidade dessa limpeza que aguça nossa capacidade mental e sensorial, aumenta a capacidade respiratória, eleva nossa vitalidade física, ajuda a tratar a depressão, ansiedade, problemas psicológicos, cansaço, insônia, elevando também o sistema imunológico.

Todas as pessoas podem se beneficiar do uso diário do lota pela manhã. No entanto, você poderá também usá-lo a qualquer momento em que se sentir congestionado e quiser respirar melhor.

Como usá-lo

Antes de começar o procedimento, certifique-se de que o lota esteja superlimpo, para evitar entrada de resíduos nas narinas.

Coloque 1/4 de colher de chá de sal de mesa (melhor sem iodo) e misture com uma xícara de água morna até que o sal se dissolva por completo. Preencha o lota com esta mistura.

A água deve ser morna (verifique com a ponta do dedo). Use preferencialmente água de boa qualidade.

Coloque-se perto da pia, incline a cabeça para a esquerda e insira a ponta do lota na narina direita e deixe a água fluir até que saia pela narina esquerda.

Durante o processo respire somente pela boca.

Assoe esta narina antes de repetir o procedimento exatamente igual pela outra narina.

Nas primeiras tentativas você pode sentir alguma dificuldade ou desconforto. Continue praticando e logo você se acostumará.

Lembre-se que toda ação gera em nossas células uma memória que, por sua vez, gerará o desejo de repetir a ação e a purificação de suas narinas se tornará tão fácil e necessária como escovar os dentes.

Não use o lota em caso de sangramento das narinas, qualquer infecção na região, ataque de asma ou se suas narinas estiverem muito entupidas.

Experimente e analise como você se sente bem com esta prática milenar. Tenho certeza que você não poderá mais viver sem ela e também verá o mundo com maior clareza e a sensação de leveza na cabeça é deliciosa.

Stress, o vilão

Coluna publicada na revista de bordo da Gol

Não há vida sem ele, mas ele acaba com a vida se a gente não cuidar. Comece agora mesmo a pôr seu stress sob controle – para ser mais feliz e ainda rejuvenescer!

Pesquisas científicas nos mostram estatísticas sobre as diversas doenças que matam: do coração, diabetes, câncer etc. Mas, na realidade, por trás de todas essas causas aparentes, existe um único vilão: o stress. É preciso pôr na cabeça que, literalmente, o stress mata.

Uma das importantes dicas da Filosofia de Bem Viver é que podemos prevenir o acúmulo de stress incorporando hábitos saudáveis ao nosso dia a dia. Como já comentamos aqui outras vezes, um dos (tantos!) sábios conceitos orientais é o de que o equilíbrio se faz a partir da união dos opostos. Assim, se vivemos uma era de excesso de correria e de competição, precisamos abrir espaço em nossa vida para a quietude e a solidariedade.

A tradição milenar de ayurveda nos afirma que o stress é uma das principais causas de nosso envelhecimento. Correr envelhece. O excesso de movimento gera radicais livres que nos fazem mal. Da mesma forma, o aquietamento rejuvenesce. Fazer uma coisa de cada vez, ter calma, vivenciar o momento presente – tudo isso depende de uma resolução interna que você pode tomar agora, durante este vôo, e que significará começar imediatamente a reverter o processo de envelhecimento.

É assim que se revertem os processos que nos fazem mal — vivenciando os opostos, ou seja, adotando os processos que nos fazem bem.

Durante o dia, podemos fazer várias pausas. Pausa para respirar, pausa para meditar, pausa para não fazer nada, absolutamente nada. No momento em que aquietamos a mente, penetramos no campo da pura potencialidade e nos deparamos com infinitas possibilidades de crescimento. A criatividade aflora a partir do silêncio. Seguindo esse conceito, menos se torna mais. O velho paradigma de que se não houver esforço a coisa não funciona já está obsoleto. A dança cósmica flui sem esforço, entre você também nesse ritmo!

Sempre que se lembrar, aquiete-se, mantenha o foco e a calma, e aos poucos grave na sua memória celular que ao não fazer nada você recarrega suas baterias para fazer muito. E sem stress. Agora mesmo, aproveite o fato de estar voando para assumir uma postura confortável, fechar os olhos e simplesmente SER. Você vai adorar!

Estudar é Preciso

coluna publicada na revista yoga journal

ilustração: gustavo peres

A verdadeira prática de Yoga deve começar, assim como disse Patañjali, com a formação do caráter do yogi ou da yogini por meio da observação dos yamas e niyamas. Estes conceitos devem ser vividos e observados permanentemente para que haja evolução no caminho espiritual. De nada adianta fazer uma prática física maravilhosa, com asanas difíceis se, ao sair da sala de Yoga, o praticante se comportar de maneira adversa.

Muito importante também para a evolução na prática é o estudo constante. Definitivamente, estudar é preciso! Existem no entanto, várias maneiras para isso.

Comecemos com swadhyaya, auto-estudo ou auto-observação, que é um dos niyamas, e pode ser considerado o tipo de estudo mais elementar ou básico das nossas vidas. Jamais haverá progresso na senda do Yoga sem este princípio, tão importante quanto o ar que respiramos.

É preciso que observemos constantemente nossos atos, atitudes, palavras, pensamentos com olhos críticos mas, ao mesmo tempo, prestando atenção em um dos yamas: ahimsa, a não-violência. A partir deste auto-estudo, nos aceitamos como somos e aproveitamos nossos limites para encontrar, dentro deles infinitas possibilidades de crescimento e autoconhecimento.

O Ayurveda preconiza que somos seres únicos e individuais e, como tal devemos ser tratados. Este niyama nos permite, então, entender quem somos e que caminho devemos tomar para respeitar nossa prakriti ou natureza.

O segundo tipo de estudo que abordaremos é aquele convencional, obtido por meio dos livros, das escrituras e do ato de estudar propriamente dito, que conhecemos em nossa sociedade.

Acredito que o meu dharma (propósito de vida) é o de ajudar as pessoas a reconhecer sua individualidade e seu potencial para que por meio do conhecimento possam se auto-respeitar e seguir a trilha da felicidade.

Por isso, trabalho para divulgar a união de Ayurveda e Yoga, ciências-irmãs que caminham juntas para o benefício da humanidade.

E, finalmente, chegamos ao conhecimento mais verdadeiro e mais profundo que pode existir na face da Terra: Akasha que, em sânscrito, significa éter ou espaço. Dentro desta imensidão que é o Universo, existe um arquivo perene e infinito conhecido como o registro akáshico. Você já ouviu falar?

Dentro dele está contido todo o conhecimento da humanidade, o reservatório total e completo do mais profundo saber. Podemos até chamá-lo de “o verdadeiro saber”.

As escrituras védicas nos dizem que, no momento em que pudermos acessar este campo de pura potencialidade, de infinitas possibilidades, não precisaremos nem mesmo estudar nos livros.

Parece utopia, mas é a mais pura verdade. Este campo é de direito de todo ser humano, e qualquer um de nós pode acessá-lo. Sabe como?

Yoga chita vriti nirodhah”! Por meio do aquietamento das ondas cerebrais.

Abrace este desafio e conquiste o mundo!

Envelheça Bem

Coluna publicada na Yoga Journal

Ilustração: Gustavo Peres

Podemos dizer que envelhecer é uma das maiores neuroses da atualidade. A ditadura da juventude impõe que no momento em que ela acaba (pois tudo que é matéria tem começo, meio e fim e, portanto, é sujeito às leis da degradação), nossa alegria de viver acaba também. Seria muito mais sábio  aceitar as rugas como parte da própria identidade do que travar uma guerra inglória com a natureza, tentando “apagar” as marcas de expressão ao preço de muita cirurgia plástica e resultados nem sempre satisfatórios. Segundo o conceito de que o ser humano é o microcosmo do macrocosmo, a parte do todo que contém o todo, devemos nos sentir parte integrante da natureza e seguir seus ritmos suaves e contínuos. Nossas vidas passam por estações, assim como as da natureza. Ao nascermos estamos na primavera, em seguida vivenciamos o verão ao atingirmos a idade adulta. Ao amadurecermos estamos entrando no outono das nossas vidas e, com o passar do tempo, chegamos ao inverno que pode ser comparado à nossa velhice. Você já parou para pensar quão bonita cada uma dessas estações é? Basta que você as veja sem ser influenciado pelos padrões pré-estabelecidos em conceitos vãos. Em muitos povos da antiguidade, os mais velhos são considerados os mais poderosos pelo conhecimento que detêm.

Devemos considerar a beleza como um conjunto que inclui saúde, atitude, postura e amor-próprio. Na maioria das vezes, é uma conquista da maturidade. Chega como um prêmio em um momento no qual recobramos a autenticidade, parando de atender a cobranças externas, aprendendo a cuidar, a aceitar e a gostar de nosso ser.

A fome do espírito é um aspecto natural da maturidade. O passar dos anos aumenta a “saudade de casa” que todo ser humano carrega desde o nascimento. É essencial então meditar todos os dias, se possível, duas vezes por dia, sempre para espantar as doenças, que são sintomas da sede de silêncio. Lembrando que toda insatisfação é saudade do lar e nesse lar reside a verdadeira beleza, a beleza que vem do fundo da alma, a beleza que brilha nos olhos.

 

Seja magra, seja alta, seja jovem, seja um robô!

Viver bem por 120 anos não é utopia segundo a tradicional medicina indiana – todos estamos programados para isso e deveríamos morrer sem doenças, dormindo, expirando o último alento da mesma forma que inspiramos o primeiro. O envelhecimento, por essa ótica, é um erro do intelecto – em sânscrito, pragya aparadh. Para os antigos sábios, mestres em Ayurveda, o erro ocorre quando nos identificamos só com o corpo físico e esquecemos o nosso corpo quântico.

Em outras palavras, a “poção da juventude” está em conseguirmos ir além da matéria. No campo onde não há tempo nem espaço, onde nos definimos como almas imortais viajando por uma estrada cósmica sem começo nem fim, as leis do mundo físico não valem. Mais: nesse nível, todos somos um – então, cada qual de nós tem a responsabilidade de se cuidar para que, dessa forma, o todo seja cuidado. Nossa saúde e felicidade afetam a consciência coletiva, tornando-a saudável e feliz. Nesse campo, como dizia Vinícius, beleza é fundamental… Mas a beleza da alma, aquela que dá brilho aos olhos.

Mudar nossa percepção e interpretação de nós mesmos e do mundo muda a realidade – e, conseqüentemente, o corpo. Pois já sabemos que todas as experiências que vivenciamos são transformadas em química no nosso organismo. Cada pensamento, sensação ou sentimento que nutrimos provoca uma resposta do sistema nervoso, liberando mensageiros químicos que regulam todas as nossas funções vitais e moldam as moléculas que formam células, tecidos e órgãos.

Quando alguém pergunta nossa idade, temos a resposta na ponta da língua, sem notar que esse número é apenas um de três possíveis. Sim, o ser humano tem três idades:

• Idade cronológica

A registrada em nossos documentos, determinada pelo número de voltas que a Terra realizou em torno do próprio eixo e em volta do Sol desde que nascemos.

• Idade biológica

Depende do funcionamento de nossos sistemas fisiológicos. Podemos estabelecê-la observando nossa pressão sangüínea, capacidade visual e auditiva, níveis hormonais, etc. e comparando com pessoas de várias faixas etárias.

• Idade psicológica

É a experiência subjetiva, a idade que sentimos. Muitas pessoas com mais de 60 anos se sentem melhor do que quando eram jovens em seu RG, assim como há pessoas de 20 anos que se consideram velhas. A idade psicológica está intimamente conectada à biológica, pois quando o corpo funciona bem sentimos maior vitalidade.

Não podemos mudar nossa idade cronológica – mas tudo bem, porque na verdade ela é a menos importante das três. A boa notícia é que podemos sim reverter nossas idades biológica e psicológica, adquirindo maior vitalidade do que no passado.

Como disse Katharine Hepburn: “Não me tirem as rugas…. levei anos para conquistá-las… e elas demonstram minha mais profunda sabedoria!”

 

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O Poder da Memória Celular

Coluna publicada na revista Yoga Journal

Ilustração: Gustavo Peres

Você faz uma dieta radical, perde peso e dois meses depois os quilos começam a voltar. Ou entra para o mundo vegetariano, mas depois de alguns anos não resiste a um rodízio gaúcho. Normal. Não é fácil fazer o corpo entender que ele será privado de algo a que está acostumado para sempre. E não é difícil entender o porquê.

Voltando aos nossos ancestrais e analisando a evolução da humanidade, no que se relaciona ao alimento, encontramos fases de fartura e fases de escassez. Antes da Revolução Industrial e desse padrão de vida das grandes cidades, contabilizamos milênios em que durante verão e primavera a caça era abundante e durante outono e inverno a caça se tornava escassa. Essa ingestão irregular de alimento começou desde então a ficar gravada na memória celular da humanidade.

Na seqüência da nossa história, tempos de guerra durante os quais também há escassez são intercalados com épocas de glória e abundância em todos os sentidos.

Na infância, nossas mães nos obrigam a comer, reforçando ainda mais essa memória.

Isso fez com que a memória celular da humanidade ficasse ao passar do tempo mais e mais reforçada por este padrão de acontecimentos recheados de altos e baixos. Ficou gravado na memória celular que precisamos armazenar gordura para ter “estoque” nos momentos de escassez.

A humanidade está engordando a olhos vistos, e sabe-se que dos 3/3 que o ser humano come, apenas 1/3 já seria suficiente para viver com saúde.

E é exatamente por tudo isso que fica tão dificil para as pessoas conseguirem mudar seus hábitos alimentares, como por exemplo fazer regime. Pouco tempo depois da primeira “segunda-feira”, já começam a atacar o alimento novamente como animais famintos, pois essa memória celular ainda fala mais alto. O mesmo acontece quando alguém quer deixar de comer carne de uma vez só. Não é fácil manter um mudança drástica assim por muito tempo. Quando menos esperamos, voltamos ao “vício”, pois ele está, como já vimos, arraigado em nós profundamente.

A explicação também se encontra no ciclo kármico descrito nos Vedas:

Cada ação que fazemos – KARMA – gera imediamente uma memória – SAMSKARA – em nossas células, que por sua vez vai gerar o desejo – VASANA – de repetirmos a ação. Dessa maneira, estabelecemos nosso padrão de comportamento. Para bons ou maus hábitos, o processo é o mesmo.

Esse padrão de comportamento só poderá ser mudado com sucesso na medida em que conseguirmos mudar as ações e as memórias. No entanto, o processo deve ser natural, gradativo e lento. É sabido que precisamos repetir a mesma ação durante 40 dias consecutivamente para que ela se torne uma memória e conseqüentemente gere o desejo.

É importante também saber que quando a ação está correta, ela deve ser natural e espontânea, sem esforço. Portanto, se você quer mudar seus hábitos como comer menos carne, emagrecer, tente esta dica. Garanto que ela não falha!

O poder da memória celular é infalível e duradouro.

Uma vez mudado, você sempre poderá mantê-lo!

Que tal tentar? Vale a pena.